01 junho 2019

Minha Missão como Nutricionista


Segundo estudo, 86% dos brasileiros recorre aos Suplementos Alimentares sem orientação e 66% nem se quer lê o rótulo. Saiba seus riscos:

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) o brasileiro é um dos campeões da América Latina no consumo indiscriminado de medicamentos sem prescrição médica. Dentre os remédios mais procurados são os de gripe, para dores em geral, seguidos por vitaminas e fortificantes. Os dados começam a ficar mais preocupantes quando analisamos o crescimento do uso de suplementos alimentares pois de acordo com o Ministério da Saúde, o uso tem crescido desde 2014 cerca de 25% ao ano.

Em um estudo publicado pela Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, (Rigon, 2012), 86% das pessoas consomem suplementos sem prescrição de um nutricionista e 66% dos entrevistados nem se quer realizam a leitura do rótulo do produto.

Grande parte das pessoas acabam adquirindo suplementos por indicação do professor de educação física, indicação de amigos, vendedor da loja de suplementos, propagandas e quase nunca por orientação profissional cabida, diz Tais Rímoli relatando sua experiência dentro deste universo há 15 anos. De acordo com Tais Rímoli (Nutricionista e Professora de Educação Física) o uso de complementos alimentares é uma estratégia traçada pelo nutricionista com o objetivo de suprir carências de acordo com a necessidade de cada paciente e não substituir a refeição e tão pouco virar um agente milagroso para uma suposta melhora de performance física.

As Doenças Crônicas Degenerativas que atingem 57,4 milhões de brasileiros segundo o Ministério da Saúde (2014) e o IBGE divulga que 62,1% dos brasileiros não praticam atividades físicas em 2015; entre as principais justificativas estão: não gostar, não querer e falta de tempo. Dentro deste panorama podemos entender que a maior parte da população está ficando doente e ainda assim procura uma forma mais "fácil" de se manter em forma com a falsa sensação de saúde.

É importante ressaltar que o uso de medicamentos de forma abusiva e sem orientação pode causar sobrecarga no fígado, rins, disfunções de tireoide dentre outros. A metodologia errônea do consumo de suplementos pode afetar a biodisponibilidade dos nutrientes, como por exemplo: a absorção do zinco é diminuída pela suplementação do ferro não heme, o excesso de zinco irá reduzir a ingestão de cobre, e o excesso de cálcio, ao contrário do que muitos podem imaginar pode ser danosa sim, como por exemplo diminuir a absorção de manganês, zinco e ferro. Outro fator relevante a se considerar é que nem todas as vitaminas tem evidência científica comprovada.

A melhor forma de se manter saudável é praticar atividades físicas regulares e manter uma alimentação equilibrada. O auxílio de um bom profissional nestas duas vertentes está diretamente ligado com o sucesso de seu programa.

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A Obesidade triplica o risco de morte por complicações e o Sobrepeso já é suficiente para reduzir a expectativa de vida

De acordo com os últimos dados da ABESO, 2019 (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), 50% da população Brasileira encontra-se acima do peso (sobrepeso e obesidade), e entre as crianças este número estaria entre 15%. A obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo tendo como projeção em 2025 cerca de 2,3 bilhões de adultos em sobrepeso e mais de 700 milhões dentro do quadro de obesidade (OMS, 2019).

Mas estar acima do peso é apenas uma questão estética?

Já é sabido que as complicações de estar acima do peso e da inatividade física são reais. Vamos discorrer abaixo sobre suas complicações e, claro, vamos falar também sobre tratamento.
A obesidade é uma doença que como qualquer outra e necessita de cuidados específicos. Dados recentes demonstram que tanto as pessoas obesas quanto as que estão em sobrepeso tem riscos de desenvolver problemas como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, artrose, artrite, pedra na vesícula, refluxo, apneia no sono, tumores, cansaço físico, alterações hormonais, infertilidade e baixa da autoestima que acarreta uma outra doença incapacitante: a depressão.

Ainda dentro dos complicadores da obesidade temos o próprio tecido gorduroso é um tecido nocivo e metabolicamente ativo, que produz enzimas causadoras da resistência à insulina.

Mas onde todos estes dados vão chegar?

Em 1988, (Reaven) foi descrita inicialmente a Sindrome X, que seria um conjunto de fatores de risco cardiovascular que estava usualmente associada à obesidade. Posteriormente surge o termo Síndrome Metabólica que se denomina como: conjunto de doenças associadas que vão levar ao aumento do risco de problemas cardiovasculares.

Quem tem a Síndrome Metabólica?

É considerado portador da síndrome metabólica, os indivíduos que possuem pelo menos 3 dos 5 critérios abaixo:

Circunferência abdominal maior que 102 cm em homens e 88 cm em mulheres;
Níveis de triglicerídeos sanguíneos maiores que 150 mg/dl;
Colesterol HDL (colesterol bom) menor que 40 mg/dl em homens e 50 mg/dl em mulheres;
Pressão arterial maior que 130 /85 mmHg;
Níveis de glicose em jejum maiores que 100 mg/dl.

De Acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, (2019), A Obesidade triplica o risco de morte por complicações e o Sobrepeso já  é suficiente para reduzir a expectativa de vida.

Como se pode reverter a Síndrome Metabólica?

É de extrema importância que se trate todos os componentes da síndrome, adotar um estilo de vida saudável, se alimentar de forma equilibrada e perder peso. Em alguns casos poderá ser necessário o uso de medicamentos, mas consulte um médico para avaliação da conduta correta. (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 2019).

Ir para a academia ajuda?

Em uma revisão da literatura feita em 2008 por Guttierres, demonstrou que o treinamento de força parece ter um efeito protetor para a prevalência de síndrome metabólica pelo fato de aumentar a massa muscular, reduzir o tecido adiposo visceral, aumentar a imunidade, elevar a sensibilidade dos receptores da insulina (melhorando o controle do diabetes), melhora dos níveis de colesterol, diminui a pressão arterial e aumento do gasto calórico promovendo melhor controle do peso corporal.

Como devo me alimentar?

Para Steemburgo, 2007 a alimentação equilibrada possui papel importante tanto no controle quanto na prevenção da síndrome metabólica. Dados recentes associam a presença da doença com baixo consumo de grãos integrais, frutas e vegetais. Estes alimentos são fontes importantes de fibras, nutriente este que está associado à redução de riscos cardiovasculares.

Não deixe a doença se instalar, a obesidade tem causa multifatorial. Procure ajuda com profissionais devidamente habilitados. Pratique atividades físicas regulares e mantenha uma alimentação equilibrada. Não procure milagres nem pílula mágica. Saúde é coisa séria.

Tais Rímoli
Nutricionista e Personal Trainer
www.taisrimoli.com.br

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Como preservar os Nutrientes dos Alimentos?

A prática de uma alimentação saudável é importante em todas as fases da vida e inicia-se desde o momento da compra do alimento até ser colocada mesa. A boa qualidade da refeição e o paladar final tem a ver com o preparo e a conservação dos alimentos, haja vista que uma infinidade de doenças pode ser transmitida pelo alimento contaminado. Aqui vamos discorrer sobre a melhor forma de manter os nutrientes que os alimentos nos proporcionam e realizar uma refeição segura do ponto de vista higiênico e sanitário.

Comece certo no preparo: (RDC nº 216/2004).

Lave bem as mãos e toda a superfície onde você vai manipular os alimentos;
Descongele o alimento na parte inferior da geladeira, nunca em temperatura ambiente;
Prepare a refeição para consumo imediato, não a deixe a em temperatura ambiente por muito tempo, pois é neste momento que a maior parte dos microrganismos se desenvolvem;
Lave bem as frutas, verduras e legumes em água corrente. Para as verduras: lave folha por folha. Se preferir poderá utilizar uma bucha limpa e macia para legumes e frutas, mas não coloque detergente. Estes alimentos que irão ser consumidos crus e com casca, além das folhas, é claro, devem ficar de molho, ainda inteiros, numa solução: 1 colher (sopa) de hipoclorito para um litro de água limpa; deixar por 10 minutos; escorrer e enxaguar em água corrente.
Evite armazenar frutas e hortaliças por muito tempo na geladeira, especialmente se já estiverem cortados;
Evite a contaminação cruzada (misturando alimentos crus que ainda não foram higienizados com os alimentos já prontos).
Só assar ou cozinhar as carnes após o seu completo descongelamento, para garantir que todo o produto atinja a temperatura e o cozimento ideal. As carnes descongeladas não devem ser congeladas novamente.

Lembre-se de que alimentos mal refrigerados e ou armazenados além de trazer riscos para sua saúde, pode também perder muitas de suas qualidades nutricionais.

Feito todo o processo, vamos à parte de cocção!

Como fazer com que os alimentos mantenham suas melhores qualidades?

Descasque e corte os alimentos pouco antes de prepará-los para o consumo;
Não corte pedaços muito pequenos pois aumenta a superfície de contato fazendo com que os nutrientes se percam com mais facilidade;
Cozinhe os alimentos com casca sempre que possível pois irá funcionar como uma capa protetora para o alimento, ajudando a conservar seus nutrientes;
Espere a água ferver para colocar os alimentos;
Prefira os legumes "Al Dente" para que perca menos nutrientes;
Prefira cozinhar ao vapor.

Segundo a Nutricionista Tais Rímoli, a perda de nutrientes dos alimentos de origem vegetal durante o cozimento acontece por muito tempo de cozimento, altas temperaturas e grande volume de água, portanto o equilíbrio é a maneira mais adequada para manutenção e aproveitamento dos nutrientes.

Uma boa dica é utilizar a água de cozimento para preparo de outros alimentos! Pode por exemplo utilizar para fazer arroz.

Procure alternar o consumo de alimentos crus e cozidos, para manter a ingestão de nutrientes bem equilibrada. Altere bastante as fontes de frutas, verduras e legumes pois cada um tem sua composição química única, beneficie-se de todas possibilidades.

Agora você já pode ter uma refeição bem nutritiva! E não se esqueça: se sobrar é só colocar na geladeira!

Tais Rímoli
Nutricionista e Personal Trainer
www.taisrimoli.com.br
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Razão Cintura Quadril como Preditor de Doenças Cardiovasculares e Diabetes tipo 2, descubra agora se você está dentro do grupo de risco

A Razão Cintura Quadril (RCQ) é o cálculo que se faz a partir das medidas da cintura e do quadril para verificar o risco que um indivíduo possui de sofrer doenças cardiovasculares, pois quanto maior a concentração da gordura em tais regiões, maior o risco de problemas como colesterol alto, diabetes, hipertensão e aterosclerose (WHO, 2018).

Desde a década de 70 a RCQ vem sido utilizada para estudos epidemiológicos como preditor de doenças cardiovasculares.

Como realizar? 
Circunferência da Cintura (CC): 2 cm acima do umbigo;
Circunferência do Quadril (CQ): em seu maior perímetro;

A RCQ é feita pela divisão da CC/CQ em centímetros.

Os resultados da RCQ são de acordo com a idade e sexo, mas devem ser de no máximo 0,80 cm para mulheres e 0,95 cm para homens. (WHO, 2018).

De acordo com Tais Rímoli, Nutricionista e Personal Trainer a maior parte da população fica estarrecida com este indicador, pois as pessoas não se veem enquadradas em situação de risco cardiovascular ainda que se explique e demonstre as fórmulas, nunca pensam que é tão perigoso estar acima do peso e jamais imaginam que já estão dentro do grupo de risco.

Recentemente tem se evidenciado estudos sobre o perigo da gordura abdominal por ser um grande fator de risco para doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e alguns tipos de câncer como o de mama, ovário e endométrio. A distribuição da gordura corporal tem um determinante genético, mas fatores como: sexo, idade, comportamental, tabagismo, sedentarismo e menopausa podem estar fortemente associados ao acúmulo de gordura abdominal (Machado, 2011).

Quanto maior a circunferência da cintura maior a chances de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e também de seu controle depois de instalada a doença. Em todo mundo, 422 milhões de pessoas vivem com Diabetes, e mais de 16 milhões de brasileiros adultos sofrem de diabetes e ela mata 72 mil pessoas por ano (BRASIL, 2014).

Estudos populacionais desenvolvidos na China, Irã, Austrália e Estados Unidos, evidenciam as associações entre medidas de obesidade central e o Diabetes, destacando a razão cintura/quadril que apresentou maior exatidão em relação aos demais indicadores na constatação da doença (MORAES, 2006).

Em um estudo no Hospital das Clínicas, na Universidade de São Paulo, realizado com 212 pacientes, onde foram coletados dados de peso, altura, circunferência de cintura e quadril para diagnóstico de dislipidemias e diabetes, foi constatado que as medidas de CC e RCQ se comportam de formas diferentes em ambos os sexos. A medida da CC apresenta uma maior correlação com o aparecimento de diabetes e dislipidemia em homens, enquanto a RCQ apresenta um melhor resultado em mulheres (CALISH, 2002).

Segundo a ABESO 2018, no Brasil, a obesidade vem crescendo e alguns levantamentos apontam que mais de 50% da população está acima do peso, na faixa de sobrepeso e obesidade. A obesidade é uma doença crônica diretamente ligada ao risco de desenvolver DANT, Doenças e Agravos Não Transmissíveis em especial o diabetes mellitus, que tem como resultado piora absoluta na qualidade de vida, pode incapacitar e consequentemente maior chance de óbito (COELI, 2002).

A Circunferência da Cintura (CC), outro indicador, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que a medida igual ou superior a 94 cm em homens e 80 cm em mulheres indica risco de doenças ligadas ao coração.

Um estudo que ajuda a comprovar esta relação é feito em São Paulo, com 2143 pessoas com 60 anos ou mais, de ambos os sexos durante os anos de 2000 e 2006, com coleta de dados feita por meio de entrevistas e para dados antropométricos foram realizadas as medidas de IMC, RCQ,CC. No resultado do estudo, que objetiva ter relação destas medidas com a incidência do diabetes, se tem acurácia de 67%, 96% e 102% respectivamente, podendo então constatar que RCQ e CC não medidas mais eficazes na constatação de risco cardiovascular e eminencia de diabetes (ALMEIDA, 2010).

Outro estudo realizado com idosos de 70 a 79 anos, durante 12 anos na Califórnia constataram que valores de RCQ ≥1 para homens e RCQ ≥0,85 para mulheres apresentam alto risco de mortalidade por todas as causas. (SRIKANTHAN, 2009).

No estudo de Cabrera (2001) et al, feito com mulheres idosas entre 60 e 94 anos, demonstra que RCQ inadequado foi preditor de diabetes mellitus tipo 2 e no aumento de mortalidade total.

Quando podemos ampliar mais a visão da situação, avalia-se melhor a associação da RCQ, com IMC, CC, com glicemia alterada, resistência a insulina, diabetes tipo 2, alteração de pressão arterial, alteração cardiovascular, alterações hormonais e uma série de desordens metabólicas oriundas da obesidade e sobrepeso. Procure se alimentar da melhor forma, procure ajuda profissional e saia do sedentarismo.

De acordo com o Ministério da Saúde, a prática da atividade física regular, de pelos menos 5 vezes na semana com duração de no mínimo 30 minutos promove efeito protetor para a doença cardiovascular.

Cuide de sua forma física não pela estética, mas por sua qualidade de vida. Cuide do seu amanhã!

Tais Rímoli
Nutricionista e Personal Trainer
www.taisrimoli.com.br
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